Estimulador de nervo vago

Estimulação do nervo vago para o tratamento de pacientes com crises epilépticas parciais

A estimulação do nervo por meio de uma prótese neurocibernética é o primeiro método novo para o tratamento da epilepsia nos últimos cem anos. Depois de quinze anos de investigação e ensaios clínicos, foi aprovado pela Agência de Alimentos e Drogas (FDA), dos Estados Unidos da América em 16 de julho de 1977, como tratamento adjuvante para reduzir a freqüência das crises epilépticas parciais resistentes aos medicamentos antiepiléticos em adultos e em adolescentes de mais de 12 anos.

Atualmente existem mais de 10.000 pacientes de todas as idades tratados com este método em mais de 350 centros nos Estados Unidos e na Europa.

O estimulador do nervo vago, emite sinais elétricos que são aplicados ao nervo vago no pescoço, e por meio do nervo, a informação é transmitida ao cérebro. A palavra “vago” em grego tem o significado de viajante. No homem é muito apropriado já que o nervo vago nas pessoas adultas tem um comprimento de aproximadamente 56 centímetros e viaja por muitas partes do corpo, desde o cérebro até o tórax e região abdominal. O nervo vago é uma das principais linhas de comunicação dos órgãos mais importantes do corpo com o cérebro. A estimulação do nervo vago é uma maneira excelente de enviar mensagens ao cérebro porque:

• o nervo vago tem pouquíssimas fibras nervosas da dor;

• mais de 80% dos sinais elétricos aplicados ao nervo vago no pescoço são enviados para cima em direção ao cérebro;

• os eletrodos (cabos) para a estimulação podem ser aplicados no nervo vago no pescoço mediante uma pequena intervenção cirúrgica que não requer uma cirurgia no cérebro.

Este é o primeiro tratamento antiepiléptico médico que utiliza um método implantável, que consiste em um gerador elétrico parecido a um marcapasso cardíaco e eletrodos para a estimulação do nervo vago. Os marcapassos tem se utilizado para o tratamento de enfermidades do coração desde o ano de 1958. Do mesmo modo que os marcapassos do coração correntemente em uso, o gerador do sistema do nervo vago é controlado por uma bateria que pode durar até 5 anos, dependendo dos parâmetros de estimulação que se utilizam.

Em contraste com outras formas de tratamento cirúrgico da epilepsia, a implantação do sistema não requer cirurgia no cérebro. O gerador e os eletrodos são implantados no peito e no pescoço por meio de um procedimento muito simples.

O sistema administra um tratamento de duas maneira que pode ser automático e programável. A estimulação automática é programada pelo médico durante as visitas no consultório médico. A estimulação acontece sem que o paciente tenha que intervir em momento algum. O sistema programável é comandado por um membro da família sempre que o paciente referir que vai iniciar uma crise.

Este método não causa efeitos tóxicos no sistema nervoso central, como diminuição da capacidade intelectual ou alterações emocionais do distúrbios de conduta. Os efeitos mais freqüentes estão relacionados com a mudança do timbre de voz, sensação de respiração superficial e tosse, todos no momento da estimulação do nervo, que para muitos passa imperceptível.

A satisfação dos pacientes com o tratamento que chega a reduzir em até 80% as crises, se reflete na observação que 97% no primeiro anos, 85% por dois anos e 72% aos três anos de uso.

Mostraram-se também com melhoria do estado emocional, estado de alerta, memória e capacidade cognitiva e principalmente a redução significativamente do número e dosagem da medicação.

Sem dúvida é um método que trará grandes benefícios ao paciente e à sua família.

Dr. Felipe Wainer  

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